Zest de Cultura

Devotos da Cachaça

Texto: Lara Morais Não, não é uma promessa nem uma nova seita. Devotos da Cachaça é de um documentário sobre a nossa amada branquinha. Lançado em 2010, o documentário conta com a presença de várias figuras importantes do mundo da branquinha, como os produtores Osvaldo Santiago (Havana/Anísio Santiago) e Antônio Rodrigues (Seleta e Boazinha). Abaixo, deixo sinopse e trailer. Só pra dar um gostinho. O filme se propõe a mostrar a profunda relação da cachaça com a alma brasileira, exemplificada pela penetração da bebida nacional na música, na literatura, nas artes plásticas e até mesmo nas festas religiosas populares, do que é prova o Baile da Aguardente, auto recolhido do século XIX e remontado no documentário, com música original. Devotos da Cachaça é uma produção totalmente independente e nasceu da vontade de Lenir Costa, proprietária de uma pequena cachaçaria na Barra da Tijuca, no Rio, mostrar um pouco do que é a bebida, para além do tradicional preconceito que faz com que seu consumo seja visto como um hábito moralmente degradante e insalubre. A busca pela cachaça e suas interações com a cultura brasileira passou por locais como Rio de Janeiro, Paraty e Miguel Pereira (RJ), Betim, Carangola, Sete Lagoas e Salinas (MG). Foram quatro meses de pesquisa, dois anos de filmagens e mais oito meses de edição até que o filme ficasse pronto. A equipe de Devotos da Cachaça foi a primeira autorizada a filmar na Fazenda Havana, que produz, em edição limitadíssima, a melhor cachaça do mundo (vendida nos grandes centros a mais de R$ 300 a garrafa) e conta ainda com imagens de presépios da maior coleção de arte popular do país, a de João Maurício Pinho (MAM), e desenhos originais de Renato Molinaro. A participação dos cantores Pedro Paulo Malta e Alfredo del Penho empresta mais brilho a uma trilha sonora que ilustra com muita propriedade a presença da cachaça nas representações do imaginário popular brasileiro e abarca desde uma cançoneta da primeira década do século (A Cachaça), passando por choro de Pixinguinha (Aí, seu pinguça), marchas, rojão de Jackson do Pandeiro (Quem não sabe beber…), samba-enredo do Salgueiro, samba rural e samba contemporâneo. Os pastores do Baile da Aguardente são vividos por Alessandra Lima e Érika Arruda, além de Wlademir Frazão, também autor da música. A edição é de Georges Racz e a produção, de Anna Maria Silva e Rosário Alcazar.

Charles Bukowski

Texto: Lara Morais Charles Bukowski foi um poeta e escritor norte-americano, mas que nasceu na Alemanha. Autor de diversas obras, é um dos escritores mais conhecidos nos EUA. Bebida preferida: “todas”, mas adorava um bom Boilermaker. Boilermaker: é um coquetel constituído por um copo de cerveja e uma dose de uísque. É um estilo de se beber que os americanos não dispensam. É citado por Gary Regan e outros autores de mixologia em obras literárias. Se algo ruim acontece, você bebe em uma tentativa de esquecer. Se algo de bom acontece, você bebe para celebrar. E se não acontecer nada, você bebe para fazer algo acontecer. Se vai tentar siga em frente. Senão, nem começe! Isso pode significar perder namoradas esposas, família, trabalho…e talvez a cabeça. Pode significar ficar sem comer por dias, Pode significar congelar em um parque, Pode significar cadeia, Pode significar caçoadas, desolação… A desolação é o presente O resto é uma prova de sua paciência, do quanto realmente quis fazer E farei, apesar do menosprezo E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar. Se vai tentar, Vá em frente. Não há outro sentimento como este Ficará sozinho com os Deuses E as noites serão quentes Levará a vida com um sorriso perfeito É a única coisa que vale a pena.

Cerveja e Revolução

“Sentaram-se então em torno de uma grande sopeira que exalava um perfume de couve. Apesar daquele susto, o jantar foi 500divertido. A sidra era boa, o casal Loiseau e as freiras beberam dela, por economia. Os outros pediram vinho. Cornudet pediu cerveja. Ele tinha um jeito especial de abrir a garrafa, de fazer espuma ao servir, de examiná-la inclinando o copo, que em seguida erguia contra a luz para avaliar bem a cor. Quando bebia, sua longa barba – que conservava o mesmo matiz da bebida adorada – parecia estremecer de ternura; seus olhos tornavam-se vesgos no esforço de não perder de vista o chope, e naquele instante ele dava a impressão de estar cumprindo a única função para a qual tinha nascido. Dir-se-ia que criava em seu espírito uma aproximação e uma espécie de afinidade entre as duas grandes paixões que ocupavam toda a sua vida; a Cerveja e a Revolução; e certamente não podia degustar uma sem pensar na outra. ” Bola de Sebo – Guy de Maupassant Henri René Albert Guy de Maupassant, ou simplesmente Guy de Maupassant, Tourville-sur-Arques, 5 de Agosto de 1850, – Passy, 6 de Julho de 1893 , foi um escritor e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social com técnica realista. Foi amigo do célebre escritor francês Gustave Flaubert, a quem se referia como “mestre”. Além de romances e peças de teatro, Maupassant deixou 300 contos, todos obras de grande valor. Merecem destaque, entre os mais famosos, Mademoiselle Fifi e Bola de sebo. “A Pensão Tellier” e “O Horla” podem ser considerados seus contos mais significativos. Faleceu no manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis, que o atormentou por mais de uma década. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse.