Angostura Aromatic Bitters

Texto: Lara Morais | Fotos: Tales Hidequi

Mês passado tive um grande problema para achar uma mera garrafinha de Angostura. Rodei muito por São Paulo e nada. Conversei com diversos vendedores de bebidas e alguns nem sabiam do que se tratava essa tal Angostura Aromatic Bitters. Alguns mais experientes na arte da comercialização de bebidas comentaram que há dois anos ela está quase extinta das prateleiras, e que talvez eu conseguisse encontrar no Mercado Municipal, com um pouco de sorte, uma garrafinha.

No mercado municipal até achei uma genérica, cujo vendedor me garantiu se tratar da original apenas com seu rótulo alterado. O problema era o preço mal intencionado. Praticamente o dobro do valor, em uma amostra meio que suspeita, alegando ser o único em São Paulo a possuir tal mercadoria. Teimoso, eu não comprei. Agradeci e continuei a buscar um pouco mais. E não é que achei? Fica aí a dica pra vocês também. Arrematei quatro frascos pelo preço de dois do mercadão.Para os vendedores desavisados e os aspirantes a bartender de fins de semana, algumas dicas no texto de Ennio Federico: Angostura, uma bebida amarga, aromática e aparentemente inofensiva que entra no preparo de coquetéis clássicos e em várias receitas de cozinha é uma dessas. Embora um bitter, não é daqueles convencionais para se tomar em copos longos com gelo e soda. Ao contrário, seu uso é limitado a algumas gotas para adicionar aroma e sabor em drinks, frutos do mar, saladas de frutas, sobremesas e pâtisserie em geral.

O que faz a Angostura tão importante para merecer tanto cuidado é o fato de ser um produto sem similar e elaborado com fórmula secreta em um único lugar. Quanto à sua composição, o rótulo menciona vagamente ser ‘uma preparação aromática de água, álcool, genciana e extratos vegetais inofensivos para dar sabor e cor ao produto’., ou seja, não esclarece nada. Todo bar que se preze, em qualquer parte do mundo, deve ter pelo menos uma garrafinha dessas em estoque. Parecida com as de molho inglês, elas vêm embrulhadas em papel branco impresso em letras pretas miúdas com diversas sugestões para seu uso, que incluem além das óbvias na preparação de drinks, servir também para a cura da flatulência.

Longe de ser brincadeira, essa referência medicinal, entre outras, vem da origem da sua criação em 1824 na Venezuela pelo médico alemão Dr. Johann Gottlieb Benjamim Siegert e mantida por razões históricas.

Embora permitindo tours guiados, os visitantes que percorrem as bem guardadas instalações da fábrica somente têm acesso ao laboratório, à sala de troféus, parte da destilaria e seção maceradas com álcool. Praticamente todos os ingredientes vêm de lugar ignorado pelos funcionários e quando chegam são identificados por códigos. Depois da maceração, a solução é destilada, misturada com açúcar e colocada em tanques de aço inoxidável para maturar por tempo não revelado. No final, a mistura é colocada em outro conjunto de tanques, diluída com água, engarrafada, rotulada e despachada para todas as partes do mundo. O final do tour é a sala de degustação, onde os visitantes são convidados a provar seus produtos. Durante a prova na sala intensamente perfumada pela Angostura e com toda aquela atmosfera de mistério que cercou a visita, provavelmente as pessoas devem achar que é melhor mesmo que certos segredos fiquem mantidos para sempre.

 

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